Meu Nome é Coragem.

MEU NOME É CORAGEM é baseado na história verdadeira de Maria Aparecida Silva Santana, uma mulher que teve a filha de 14 anos assassinada por um vizinho, que apaixonado e não correspondido, a matou e fugiu, sumindo após o crime. Com uma polícia deficiente e desinteressada, Aparecida passa a procurar o assassino da filha por conta própria. Das estradas empoeiradas no interior do Ceará percorridas em garupa de moto, até Salvador alcançada na carona de um caminhão, Aparecida percorre o interior do Nordeste brasileiro para encontrar o homem que matou sua filha.

 

 

 

Testemunho

A primeira vez que ouvi falar de Aparecida foi na associação de mulheres vítimas de violência da região do Cariri, durante a realização de um documentário. Inicialmente fiquei curioso quando ouvi falar de uma mãe que teria fingido ser prostituta para encontrar o assassino da filha. Ela me contou depois que não havia sido assim, que frequentava bordéis vendendo roupa íntima às mulheres. “Marginais gostam desses lugares e se não o visse, talvez tivesse notícia dele”.

 

Ela nos contou a sua história para o documentário e fui fisgado pela determinação daquela mulher. Olhei as outras pessoas que faziam parte da equipe e vi que o mesmo tinha acontecido a elas.

 

Algum tempo após o primeiro encontro voltei a contatá-la. Achava a sua história interessante e queria fazer uma entrevista para avaliar se haveria material suficiente para um filme sobre ela. Foram cerca de três horas de entrevista onde tentei fazer com que ela me contasse em detalhes todos os fatos sobre a morte da filha até a captura do assassino. Devido à carga emocional envolvida, os acontecimentos se embaralhavam, ora ela contava detalhes do início, ora do final, esquecia pedaços que eu a forçava a se lembrar, o que a deixava impaciente e interrompia a entrevista. Mas aos poucos os detalhes foram se revelando. Eu tinha na minha frente uma história forte o suficiente para me propor a enfrentar as dificuldades de se fazer um longa-metragem.

 

Após a entrevista saí em busca das pessoas que ela citava na história: policiais, jornalistas, o delegado de polícia que investigou o caso, vizinhos, pessoas que conviveram com ela nessa época. A história se confirmava e eu passava a conhecer todos os personagens reais, como falavam, suas atitudes, e tudo foi gravado e fotografado. Voltei diversas vezes a Juazeiro do Norte, chequei e rechequei a história. Apresentei uma minuta de contrato a ela, que a seu pedido, foi supervisionada pelo delegado da cidade, o mesmo que aparece no roteiro. Usei minhas economias para um adiantamento e assinamos o contrato. Refiz com ela a viagem que fez em busca do assassino. Fomos os dois de carro de Juazeiro do Norte a Salvador pela mesma estrada que ela percorreu, parando em lugares. Percorri todos os pontos por onde passou, a Rodoviária de Salvador, a pousada na Avenida Sete de Setembro, o comércio da Baixa do Sapateiro. Conversei com a dona da pousada, encontrei os policiais que fizeram a captura e por fim fui a Camaçari. Dei uma volta pela cidade, percorri a Rua Rio Camaçari e fiquei em frente à casa onde ela viu o assassino. Tudo fotografado, parte do material segue abaixo.

 

O filme foi se delineando para mim enquanto conhecia os personagens reais, os locais, os fatos, sempre me surpreendendo por serem mais interessantes e inesperados do que a minha imaginação poderia supor ou criar. Particularmente, os personagens que conheci, suas vozes, formam um elemento da realidade que me cativa e cria um universo fascinante, difícil de ser expresso fielmente sem que eu tenha realmente de fazer um filme, e afinal é esse o propósito dessa proposta: o filme é a forma perfeita de contar essa história. A única coisa que posso fazer é tentar recriar para as outras pessoas a sensação inicial que me pegou quando entrei na casa de Aparecida. De resto é esperar que o roteiro em que me dediquei a contar a história desperte em quem o avalie o mesmo desejo que temos, eu e a equipe que trabalha comigo, de vê-lo na tela de cinema.

Imagens

Juazeiro do Norte

A história começa em Juazeiro do Norte, região do Cariri cearense. 

Ruas de Juazeiro do Norte

A cidade de Juazeiro do Norte é uma das capitais da cultura popular nordestina. Em suas ruas vemos os tipos populares e a cultura única de um povo, e é por elas que Aparecida transita, a pé ou na garupa de moto, atras do assassino da filha.

A Estrada

A estrada que leva a Salvador.

Salvador

Aparecida conhece Salvador às vésperas do Carnaval. 

Delegacia de Capturas

Prédio da Secretaria de Segurança Pública, onde funcionava a Delegacia de Capturas na época da busca de Aparecida.

O Bar

Aparecida era proprietária de um bar ao lado da casa onde morava o assassino da filha. Assim, os dois se conheceram. Aparecida se torna amiga de sua mãe e ocasionalmente usa os serviços do filho como mototaxista.

Juazeiro do Norte é uma cidade da Fé. Sem mais esperanças de encontrar o homem que matou a filha, Aparecida vai à Igreja dos Franciscanos e lá recebe um estranho conselho de uma beata. 

Juazeiro da Bahia

Em Juazeiro da Bahia o caminhoneiro deixa as duas mulheres. Daqui elas farão o resto da viagem para Salvador de ônibus. 

Sete de Setembro

Aparecida se hospeda em uma pousada na Sete de Setembro, centro de Salvador. O local é a realidade do cidadão popular, do comércio de rua, do ambulante.

Camaçari

Rua Rio Camaçari. O endereço que a pista aponta.

Os Trilhos

Na frente da casa da família do assassino passam os trilhos da ferrovia. É aqui, que em um ataque de fúria, após invadir a casa, Aparecida tenta incendiar a moto de Silvino, o assassino. 

A Carona

Seguindo uma pista, Aparecida decide ir à Bahia em carona de caminhão. Esse é o pequeno bar à beira da estrada onde ela e Galeguinha esperam até encontrar o caminhoneiro que as levará, parte da viagem, até Juazeiro da Bahia.

Rodoviária Salvador

Com o taxista que pega na rodoviária, Aparecida pede que a leve a hospedagem mais perto da Delegacia de Capturas de Salvador.

O Disfarce

Sem ajuda da polícia baiana, Aparecida decide seguir sozinha a pista que a leva a um endereço em Camaçari, região metropolitana de Salvador. Para isso tenta mudar a aparência colocando aplique no cabelo e usando lentes de contato.